sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mais 10 milhões como este...

Encontrei este texto n'A História misteriosa de Portugal. Foi traduzido de um texto original da época:

"D. Afonso Henriques nomeara bispo de Coimbra um padre de raça negra, de nome Suleima, então, o Papa enviou um cardeal com o objectivo de excomungar o novo reino mas, mal tomou conhecimento da notícia, o rei avisou logo que não só recusaria beijar a mão do cardeal como lha cortaria pelo pulso.
Ao chegar e sendo avisado das intenções do soberano, o cardeal sentiu um receio enorme, tanto mais que ninguém o fora receber ao caminho, ao contrário do que sucedera nos outros reinos por onde passara.
Mal entrou no palácio ouviu logo, de D. Afonso, a seguinte pergunta:
-Cardeal, o que vieste aqui fazer, se de Roma nunca me veio senão mal? E que ajuda me trazeis de Roma para as batalhas que travo com os mouros? Se trazeis alguma coisa, espero que me a dês já, senão ide à vossa vida.
Vendo-se entre a espada e a parede, o prelado tentou mudar o rumo da conversa, referindo dever-se a sua visita à necessidade de incutir-lhe a fé em Jesus Cristo.
O que lhe fostes dizer! Irado, o rei lembrou-lhe existirem tão bons livros de doutrina cristã em Portugal como em Roma, ministrou-lhe em seguida uma lição de cristianismo e, sem mais conversa, mandou-lhe dar pousada.
Durante a noite, o enviado de Roma chamou os clérigos da cidade e, perante todos eles, procedeu à cerimónia mágica de excomunhão de Portugal, nem sequer esperando a madrugada para partir, de forma que se encontrava já a duas léguas de Coimbra quando o dia rompeu.
Ao levantar-se, D. Afonso Henriques soube logo do que se passara na calada da noite, coisa que o deixou furibundo. Mandou aparelhar o cavalo mais veloz e, em furioso galope, com os validos atrás pedindo-lhe que não matasse o cardeal, cortou caminho pela floresta indo apanhá-lo em Poiares, onde o segurou pelo pescoço e já lhe ia cortar a cabeça com a espada.
Colocaram-se os validos de permeio gritando:
-Não o mateis, senhor, senão é que Roma vos toma por herege! Aviso salvador da vida do apavorado clérigo, confessando-se já disposto a fazer tudo quanto lhe mandassem.
-Pois então, desexcomungai o que excomungastes! - ordenou-lhe o rei.
-Senhor, eu desexcomungo Portugal em nome do do Pai, do Filho e do Espírito Santo. - gemeu o clérigo.
- E agora, tirai dos alforges a prata e o ouro que levais, além de deixar cá as bestas, pois preciso delas para a guerra! - berrou-lhe o soberano.
Além disso, obrigou-o a jurar que, quando chegasse a Roma, lhe enviaria uma carta, referindo nunca mais Portugal ser excomungado durante o seu reinado e, para o cardeal não fugir à jura, ficou-lhe com um sobrinho como refém, finalizando a conversa com o aviso de que lhe mataria o parente se a carta não chegasse a Coimbra dentro de quatro meses.
E o cardeal outorgou tudo quanto o rei quis, tendo a carta chegado antes dos quatro meses cumpridos. Desde ali em diante fez o rei, em toda a sua terra, bispos e arcebispos, beneficiando aqueles que desejava..."

Digam lá se não dava jeito ter uns quantos destes hoje em dia em Portugal. E depois, o Salazar é que ganha os grandes portugueses!

2 comentários:

Teté disse...

Não tenho culpa: eu votei no D. Afonso Henriques, na época!

Aliás, continuo a achar que aquela votação foi viciada por uma série de gajos da extrema-direita!

O texto está uma delícia... :)

Beijoca!

Matchbox31 disse...

Eu também partilho a tua opinião, teté.
Aquele concurso, de concurso não teve nada! Foi tudo manipulado para dar que falar, não tenho a mínima dúvida!

Beijinhos