quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Capítulo 1 - Quarta parte

Ao contrário do que João poderia pensar, a colega não fez quaisquer comentários à sua mudança de visual. Simplesmente, dirigiu-lhe um sorriso carinhoso quando o viu entrar pela porta e nada mais. Na verdade, João quase que podia jurar que algo não estava bem com Teresa, era sempre tão divertida, tão faladora... e hoje, durante toda a manhã, apenas lhe ouvira "Bom dia" e "Obrigado" dirigidos aos clientes...

Tomou então a decisão de que devia fazer algo para a ajudar:

- Teresa, queres vir almoçar comigo? Convido eu... - perguntou um pouco a medo.

- Ahhh... não sei... não me apetece comer... - respondeu um pouco cabisbaixa.

- Vens almoçar comigo, sim! Precisas de te alimentar... e para mais, fui eu que te convidei e não se deve recusar convites! - respondeu tentando anima-la.

- Pronto, está bem, tonto! Vou almoçar contigo... - consentiu, finalmente, com um sorriso envergonhado.

Exactamente às 13 horas, fecharam a loja e foram almoçar juntos a um daqueles restaurantes típicos de Lisboa, no entanto, apesar das tentativas de João para animar Teresa, esta manteve-se calada durante quase todo o trajecto apenas mostrando um ou outro sorriso de conveniência...

Já no restaurante, João achou que devido às suas tentativas de animação se terem revelado infrutíferas, estava na altura de ser sincero e falar abertamente com a sua colega:

- Não sei se queres falar mas, tomei a liberdade de te convidar para almoçar porque vejo que hoje não estás bem... - começou um pouco receoso.

De olhos bem abertos de espanto, Teresa fixou os olhos nos dele. Só então, este se apercebeu do quanto eram bonitos... eram grandes, cor de mel por fora e castanhos junto da íris que agora se dilatava como que tentando ler no fundo da sua alma... sentia-se como que hipnotizado sem conseguir pronunciar uma palavra que fosse, um arrepio percorria-lhe a coluna provocando-lhe pele de galinha... então, como que vinda do nada, uma pergunta veio arrancá-lo desse torpor:

- Porque te preocupas comigo? Como viste que não estava bem?

- Ahh... é que trabalhamos já há algum tempo juntos... e... estás sempre bem disposta... e nem te meteste comigo hoje... - respondeu quase a gaguejar.

- Por acaso, até reparei que te arranjaste todo hoje... mas não estou nada bem mesmo... - disse desviando o olhar triste para os pés da mesa ao lado.

- Foi tudo para ti! Arranjei-me assim para ti... - tentou animá-la novamente.

- Oh pá! Tonto! Como se alguém como tu se fosse interessar por alguém como eu!- desconfiou entre sorrisos.

- Porque dizes isso? És uma mulher linda!

E de facto era, apesar de ter alguns anos a mais que João, Teresa era uma mulher extremamente bonita e que sabia cativar. Tinha um olhar sensual e uma maneira de ser e de estar que não deixava indiferente homem algum.

- Achas mesmo que sim? Deixa mas é de me dar graxa... tenho uns 15 anos a mais que tu, no mínimo! - exclamou com uma pontinha de resignação.

- E depois? O que tem isso? Fica desde já sabendo que era perfeitamente possível eu interessar-me por ti, sendo tu uma pessoa tão bonita como sinto que és...- disse, sentindo imediatamente arrependido e envergonhado com o que dissera, saíra-lhe sem pensar.

Percebendo a evidente atrapalhação do seu companheiro, Teresa desatou a rir a bandeiras despregadas...

- Só tu! Ahahahahah! Só tu é que me podias fazer rir assim num dia como este! Não precisas ficar vermelho! Ahahahah...

Corando até à raiz dos cabelos mas, feliz por ter feito rir a sua colega, João disse alinhando na brincadeira:

- Se é para gozar comigo não pago o almoço...

- Pagas, pagas porque esta noite vais jantar a minha casa.

- O quê?- perguntou incrédulo.

- Sim, mereceste-o... deste-me atenção e fizeste-me sentir bem num dia em que estava muito em baixo. Obrigado, és um querido. - disse passando-lhe a mão pela face.

João assentiu deixando escapar um sorriso acompanhado de um brilhozinho nos olhos...

A tarde passou igual a tantas outras, sem sobressaltos, apenas com a certeza de saírem juntos ao fim do dia.

Quando esse momento chegou, parecia que tinham molas. Fecharam a loja e dirigiram-se para casa de Teresa com uma garrafa de vinho debaixo do braço. Percorreram ruas e ruelas do bairro alto até chegarem a um prédio igual a tantos outros numa rua igual a tantas outras com a diferença de que ali, meteu a chave na porta e rodou a fechadura. Subiram as escadas até ao fim e entraram nas águas furtadas em que vivia.

Era um espaço pequeno, mas acolhedor ela soubera fazer autenticas maravilhas com o espaço exíguo de que dispunha.

- Põe o vinho na cozinha e põe-te à vontade no sofá que eu trato de tudo...

- Nem penses, eu vou-te ajudar.

- És tão querido, nem parece coisa de homem!- e passou-lhe novamente a mão pela face.
Nesse momento, olharam-se nos olhos durante um espaço de tempo que pareceu uma eternidade e, sem se aperceberem, as suas bocas foram-se aproximando lentamente até se colarem fazendo com que se beijassem longamente como se fossem namorados que estiveram muito tempo separados. Era como se se amassem este tempo todo e só agora se tivessem apercebido disso. Sentiam algo incontrolável, uma paixão, um fogo... não conseguiam parar os beijos, as carícias, as roupas saltavam dos corpos ondulando e gemendo sentindo-se mutuamente até caírem no sofá fundindo-se num só. Amaram-se várias vezes, olhando-se nos olhos, beijando-se, acariciando-se. Por fim, o cansaço venceu e entregou-os nos braços um do outro, num sono feliz e profundo, até ser manhã.

(Continua)



4 comentários:

Anónimo disse...

adorei...e espero que novos episódios sejam tão cheios de paixão e amor! Afinal o autor com tanta inspiração, deve ter tido uma boa noite de transpiração...hummmm
tb keria!!!

Inti, the Sun God disse...

Lol! Pois... deve ter tido algumas noites que o inspiraram...

Eu disse...

Olha o que aqui vai... bom texto, gostei bastante. Continua.

Matchbox31 disse...

Há muito tempo que não escrevias nada inti. Estou a gostar bastante desta saga, cada vez estou mais curioso.