quarta-feira, 3 de junho de 2009

A vergonha de ser português

Como é do conhecimento geral, acabei há coisa de dias de tirar um curso de técnico de redes informáticas. Ora hoje, pesquisando por ofertas de trabalho nesta área, deparei-me com o seguinte:
Uma oferta de trabalho através do IEFP para a qual procuravam uma pessoa com o curso que eu tenho, com um curso de programação e com certificação Microsoft entre outras coisas.
Para quem não sabe, um curso como o meu demora um ano a tirar, o de programação ainda mais e a certificação Microsoft paga-se bem e é difícil de conseguir.
Agora, façam uma ideia de qual é o ordenado que uma pessoa assim ganha. Aviso já que, apenas para estagiar, com o meu curso, ganha-se cerca de 750€ por mês (só para estágio!) para já não falar com o outro curso e com a certificação.
Agora, façam um cálculo de quanto ofereciam nesta oferta.
Frio, frio, frio...
Era nem mais, nem menos que 500€ mensais!
Mas andam a gozar com as pessoas, ou drogam-se? Uma pessoa que satisfaça esses requisitos, no mínimo, ganha isso por semana! É que os 500€ nem pagam a certificação Microsoft!
Escusado será de dizer que enviei um e-mail a todos os meus colegas e professores para que vejam esta vergonha.
Mais tarde, como hoje só entro às 17 horas, dei mais uma "voltinha" pelo site e resolvi ver ofertas de trabalho no estrangeiro... e eis o que descobri:
Em França, sabem qual é a remuneração que oferecem a uma pessoa que vá trabalhar para uma caixa registadora? E sem precisar de qualquer tipo de formação (até pode ter a 4ª classe)? 1321€! Sim, isso mesmo, 1321€! Eu também fiquei assim...
Estas coisas fazem-me ter vergonha do país em que vivo. É assim que querem manter cá as pessoas? É assim que querem combater o desemprego? Chega de gozarem connosco!

9 comentários:

Teté disse...

Por essas e por outras é que há tanta malta a ir para fora, porque andar aqui a esforçar-se a estudar, para depois passar a vida a ganhar uns trocos, sempre contaditos até ao fim do mês, não dá prazer a ninguém...

Beijinhos!

Matchbox32 disse...

Tens toda a razão. Isto está cada vez pior...

Beijinhos!

Ana disse...

Para poder comparar ordenados entre paises temos que comparar também o respectivo custo de vida.

Esses mil e tal euros poderão não chegar para pagar uma renda de casa...

Matchbox32 disse...

Sim, sem dúvida. Mas a questão, é que cá em Portugal um caixa de supermercado ganha os mesmos 500€ sem formação, sem escolaridade.
Oferecerem 500€ a uma pessoa com qualificação e 500€ a uma sem, é uma ofensa para quem investiu tempo e dinheiro em formação...

Miguel disse...

Na minha opinião (e o que eu dou é sempre a minha opinião, e não a de outra pessoa!) a tua maneira de pensar não me parece correcta.
Cursos há muitos. Todos sabemos isso. Portugal é dos paises com mais cursos (superiores) do mundo. Há uns (talvez) 10 anos fizeram uma artigo em que comparava a educação em Espanha (que não é nada por aí além) e em Portugal e eles não chegavam a 200 cursos superiores e nós tinhamos quase 2.000.
Portanto, resumindo, há cursos e cursos. Há que saber do que falamos e ver caso a caso.
Na minha area, que nem interessa qual é, existem faculdades estatais e privadas. Na estatal não sei qual é a propina mas na privada são 300 euros por mês. E o curso é de 3 anos. Além disso, todo o material e instrumental é pagao pelos alunos. Portanto, vai fazendo as contas.
O ordenado normal na profissão é algo entre os 800 e os 1000 euros. Mas há muitas pessoas que conseguem um pouco mais, ainda que isso já dependa de outros factores.
Não sei quanto, baseado nesta informação que já dei, achas que deverá ganhar uma pessoa que acaba o curso, uma licenciatura, e começa a trabalhar pela 1ª vez. Gostava de saber, antes de avançar mas ficarei-me pelo gostava mesmo pois a tecnologia ainda não permite tal coisa.
Bem, seguindo, Ninguém paga mais de 500 ou 600 euros a quem começa. Mais ainda, muitas vezes as pessoas têm de ficar 1 mês à experiência para ver se têm uma base que lhes permita desenvolver depois um trabalho capaz. E muitas vezes não têm, ou se têm é muito fraca. Há um ou outro, porque realmente é uma pessoa interessada e andou na escola para aprender o máximo, que tem uma boa base mas a maioria, a larga maioria, é uma desgraça. Uma vergonha.
Eu tenho quase 20 anos de profissão e o que se passa agoraé completamente diferente, na maioria dos casos, na média, com o que acontecia quando acabei o curso. Não era, e não sou, nenhum iluminado (nem os meus colegas da altura, na sua maioria) mas sabia a teoria necessária para poder depois desenvolver o trabalho pratico. Tinhamos noção das coisas, que é algo que hoje escapa à maioria das pessoas.
Desde Outubro do ano passado que procuro pessoas para trabalhar e o que tem aparecido é uma vergonha. Algumas teriam de pagar até para "trabalhar" (iam mas era aprender) ali. Há pessoas, e não são tão poucas como isso, que atrapalham mais do que ajudam, tal é a sua total falta de tudo o que se relaciona com a profissão e o mundo do trabalho.
Tiraste um curso de um ano. Boa. Isso, se foste aplicado (e eu não percebo nada da tua area) dá-te uma base para o futuro. Uma base, percebes? Não todo o saber, nem um ordenado. Quem te dará o ordenado será alguém que um dia valorizará o teu trabalho. Primeiro tens de mostrar o quanto vales e depois, sim, podes achar bem ou mal o que te oferecem. Tens de mostrar o que vales para poder pedir alguma coisa. Ninguém te vai dar 1000 euros porque sim.
Outra coisa, os estágios profissionais têm esse valor (no teu caso são 750 euros e na minha area são 800 euros) porque isso é decidido com critérios que nada têm a ver com o mercado de trabalho. Os critérios são outros, basicamente politicos. E não esqueças que metade disso é paga por todos nós e a outra metade pela empresa que te aceita.
Enfim, esta é só a minha opinião.
Acho que todos desejam trabalhar o menos possivel e ganhar o mais possivel. Têm é de haver bom senso. A relação empregado/patrão (digamos assim mas podia ser trabalhador/empresa) é como qualquer negócio: tem de funcionar bem para ambos os lados. Com deveres e regalias (para ambos os lados). O problema é que por vezes não é isso que se procura. Nem de um lado, nem do outro.
(desculpa o abuso!)
Boa sorte para a tua vida.

Matchbox32 disse...

Miguel: Tens toda a razão. Eu, felizmente, ainda não pertenço a esta geração de agora que não querem fazer a ponta de um corno.
Por mim, desde que me paguem, eu faço o que for preciso! Nem que tenha de trabalhar na recolha de lixo!
Agora, não me insultem é ao me oferecerem 500€ para fazer algo especializado! por 500€, vou trabalhar, para as obras! Ganho mais e não tenho chatices!
Compreendo o teu ponto de vista e concordo contigo, mas há pessoas que sabem o que fazem e se esforçam e outras que se estão "a cagar". Eu nunca tive problemas em trabalhar fosse em que profissão fosse, para mim, quem precisa de dinheiro, agarra-se ao que for preciso.
Basta ver pelo curso que tirei: apenas 5 pessoas terminaram o curso (e eu fui uma delas).

Obrigado pela visita e por expores a tua opinião. É sempre bem vinda.
Qual é a tua área, já agora?

Cumprimentos

Miguel disse...

Eu trabalho na área da saúde.

Esse raciocinio, de por 500 € vais mas é trabalhar para as obras... está errado. Desculpa a frontalidade.
Que futuro terás se for essa a opção? Daqui a 10 anos veste ainda a trabalhar nas obras?
Eu não via.
Tens de começar por algum lado uma profissão que te dê um futuro. O teu problema, que foi um pouco o meu também porque acabei a minha formação tarde, é que estás num degrau profissional que devias ter há 10 anos atrás.
No inicio dos 20s, estamos disponiveis para esses valores. Achamos até normal (hoje em dia já não é bem assim - não sabem a "ponta d'um corno" e querem ganhar logo aos "mils").
Eu costuma dar um exemplo de uns colegas que trabalham no meu antigo local de trabalho, que são pessoas que eu reconheço como com um potencial acima da media, mas que se limitam a pequenas tarefas desde que acabaram a formação. Também começaram pelos 500 € mas agora, uns 5 ou 6 anos depois, já ganham na ordem dos 1000 €, o que está dentro do normal. O problema é que há anos que fazem só uma tarefa e nunca fizeram mais nada. Estão no fim dos 20s e, ou mudam agora ou já não vão mudar nunca mais. A tarefa que fazem não tem um valor num outro sitio. Como não sabem fazer mais nada, ninguém lhes vai dar 1000 € para irem fazer outra coisa que têm ainda de aprender, como se estivessem a sair da escola. Portanto, ou invertem o caminho que levam agora, aceitando até passar a receber menos mas investindo num futuro diferente e que lhes abra outros horizontes, ou ficarão para sempre prezos ali pois mais ninguém precisa de tarefeiros desses. Entendes?
Há que perceber que caminho seguimos e onde isso nos vai levar. Ou um dia acordamos e não estamos onde queriamos nem sequer lá perto.

Miguel disse...

Outra coisa:
a vergonha de ser portugês é ser governado, há anos, por gajos corruptos e interesseiros. Mas isso passa-se na maioria dos paises...

Matchbox32 disse...

E que futuro há em tirar cursos e não trabalhar?
Eu não digo ficar a trabalhar nas obras para sempre, evidentemente? Mas, enquanto as coisas não melhorarem, porque não? É alguma vergonha?
Por acaso, até já vou no segundo curso. Tirei um quando andava pelos 20 anos em arqueologia mas, como tudo ao fim de dois ou três anos, começou a escassear a empregabilidade e, desde então tenho feito de tudo, desde empregado de balcão, empregado de mesa, motorista, distribuidor, obras, agricultura... tudo o que apareceu!
Resolvi tirar este curso porque é uma coisa que tem futuro. Tenho enviado dezenas de currículos (uns 50 pelo menos) e, até agora, tive umas 5 respostas: 4 a dizer que só estavam interessados se não tivesse que pagar e 1 a propor-me ser vendedor!
É por isso que digo e continuo a dizer que enquanto não aparecer nada na minha área, aceito o que aparecer. Não posso é ficar sem ganhar ordenado. Actualmente, por exemplo, encontro-me a trabalhar numa torre de vigilância florestal a ganhar 600€/mês.
Compreendo o teu ponto de vista e concordo. Mas, à falta de melhor, agarra-se o que aparece, como é óbvio, não tenho intensões de passar o resto da vida a fazer isto, tenho os meus objectivos. É uma questão de "os fins justificarem os meios", às vezes, é preciso sacrifícios para chegar onde queremos.
Tens razão, a vergonha é mesmo sermos governados por quem somos... (e o Ronaldo ser transferido por 96 milhões de euros quando há gente a passar fome!) Eheheheheh!